Arquivo de Fevereiro, 2011

Abaixo as agendas.

Às vezes ignoramos o nosso lado infantil. Temos que ser politicamente correctos, conscientes, dizer as coisas certas, se as fizermos, tanto melhor. Não devíamos. Em maior ou menor grau, todos temos um lado “rebelde”. É esse lado que nos faz suportar a sensaboria do quotidiano. Mais que a rotina, a sensaboria. Na ânsia de sermos crescidos, de fazermos o que está certo, perdemos uma fase que, quando formos efectivamente crescidos e tivermos de fazer o que está certo, vamos lembrar que saudade. E com frustração, por não termos feito o que (supostamente não) devíamos. Não precisamos de brincar aos crescidos, quando já estamos tão perto de o ser. A “idade do chinelo” ainda não é a nossa.

 

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O Pensamento Autonómico

O que é o “pensamento autonómico”? O “autonomismo”? Que os Açores têm fenómenos estranhos já sabia, mas este é particularmente atípico. O que é esta coisa que começa em grupos no facebook a promover o queijo do Pauleta e acaba em levar a bandeira dos Açores para viagens de finalistas?

 

Portanto, vamos lá perceber o pensamento disto: há um grupo de gente que pensa, e pelos vistos acredita mesmo nisso, que os Açores podiam ser independentes.

 

Pois sim.

 

Nem sei por onde começar. Não quero ser declaradamente arrogante e “professorzeco”, mas já olharam para a economia? Temos um empreendorismo a rondar o zero, quase que não existe iniciativa privada. O Governo Regional dedica o seu tempo a subsidiar tudo e todos exactamente por causa disso, embora nem assim se consigam resultados. Além disso, e não menos importante, os fundos de que o Governo Regional dispõe vêm de onde, de onde…? Da capital, claro. Nem por sombras a Região, sozinha, consegue produzir riqueza suficiente para se governar. Qualquer pessoa que passe dois minutos a ver as estatísticas da economia regional percebe isso.

 

“Ah e tal, pois se calhar agora não temos condições, mas antes, a seguir ao 25 de Abril, tínhamos”. Claro, como é que eu me fui esquecer disso. A culpa é do 25 de Abril e pronto. Meus senhores, duas coisas: o vosso movimento, a FLA, o MAPA, tudo isso, era patético. E podia acabar aqui, mas há um dado manifesto que aparentemente nunca vos disseram: vocês eram um joguete nas mãos de Washington, que só vos apoiaria se Portugal, na altura hesitante entre o socialismo revolucionário e a democracia, enveredasse pela primeira via. Todas as hipóteses do vosso movimento vingar estavam, portanto, baseadas nos destinos do Continente, como sempre. Ironia.

 

Hoje acabamos numa autonomia comovedora. O Governo Regional intitula-se Governo dos Açores, numa operação de cosmética ridícula que não muda nada, obviamente.  E nós continuamos a mostrar a nossa soberba pelos bolos lêvedos, pela kima e pelo queijo do Pauleta. Esses porcos do continente é que não os vendem. Porcos.

 

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