Somos um país que não sai do choco. Tanto a nível interno como externo, somos subsídio-dependentes – o Estado dos da União Europeia, nós dos do Estado. E temos todos direitos e só direitos. Um preguiçoso, em Portugal, é um indivíduo com dificuldades ao nível da realização de certas tarefas psico-motoras. Os portugueses trocaram o desenvolvimento por uma marquise de vidro duplo. O crescimento por um carro com luzes neón.
Portugal é um poço onde a tendência é sempre escavar mais para baixo em vez de tentar escalá-lo.
Ou talvez sejamos um país de Jardins. Um Jardim onde ninguém se lembra de cortar as ervas daninhas e, em vez disso, as deixa crescer como se fosse algo positivo.
E a Igreja? Duvido que todos os países com quem gostamos de nos comparar tenham recebido um Papa de maneira tão efusiva. Nada contra, atenção. Percebo perfeitamente que, pelo facto da maioria dos portugueses ser católica, é natural que o Chefe Espiritual seja recebido condignamente. A questão não é essa. Mas quando se fecha uma capital só para Sua Santidade passar à vontade, então, talvez seja de considerar ir rezar missa para outro sítio que não no Terreiro do Paço. E por mais que se tenha repetido que era tão importante a visita do Papa, pelo menos eu continuei a ver-me ao espelho da mesma maneira.
Para nós, cultura é passar a tarde de domingo no Museu Berardo. Competitividade é julgar que a galinha da vizinha é melhor que a minha. Produtividade é só deixar de sair do emprego no funcionalismo público três horas mais cedo. Férias de sonho são duas semanas em Badajoz.
E enquanto não tivermos horizontes mais largos, de Badajoz não passamos.