Vivemos numa sociedade onde nada é forte ou piano, é tudo mezzoforte ou mezzopiano. É tudo médio, nada é intenso. Não há políticos nem óptimos nem péssimos: os melhores são medianos, os piores, medíocres. Seguimos todos o mesmo padrão, andamos todos a caminhar para as mesmas médias. Temos todos o nosso plano de férias mé(r)dias: uma semana neste ou naquele sítio de praia. Até o alternativo é generalizado.
E talvez até seja normal assim: todos nós temos apenas pequenas glórias, pequenas vitórias. Não temos grande tiradas sempre prontas e o nosso brilho é sempre efémero. Mas será que a verdadeira democratização de uma sociedade passa por sermos todos iguais ao indivíduo médio?
É para este trilho que as “grandes” democracias ocidentais estão a caminhar: para satisfação do prazeres mais banais, mais pequenos. Os valores, os grandes valores ocidentais de respeito pelos direitos humanos, de crença na democracia (com o objectivo de valorizar o homem e de lhe permitir crescer; não de o tornar “médio”, padronizado), estão encostados a um canto, estampados num panfleto qualquer, ensombrados pelas grandes questões dos nossos tempos: se as maçãs devem ou não ser calibradas, se o pão deve ter um limite de sal, se se pode fumar aqui ou ali.
É mesmo por aqui queremos seguir? Que diferença faremos nós de um autómato? Onde está a nossa capacidade crítica? Porque está o Ocidente a falir?
#1 by Joana Vieira on Dezembro 13, 2010 - 6:14 pm
Falta peace and love!
#2 by thefarewell on Dezembro 13, 2010 - 6:35 pm
Também…e em grande escala
#3 by thefarewell on Dezembro 12, 2010 - 3:00 pm
não, ataraxia é ausência de preocupações. nós nem isso temos. temos uma grande preocupação…com o facto do pão ter muito ou pouco sal.
#4 by margpd on Dezembro 12, 2010 - 2:07 pm
que ataraxia…