Como todos sabemos, o Mundo e, em particular, a Europa, vive um momento de tensão. No caso Europeu, a crise económica e financeira teve como consequência a oscilação dos pilares que sustentam a política europeia.
Da nossa tantas vezes denominada “posição ultraperiférica”, obviamente justificada pela geografia, podemos identificar uma série de questões:
Como vemos a crise? Que contributo podemos e devemos dar para a sua resolução?
É visível que a crise tem posto à prova a coesão político-económica da União Europeia, fazendo com que muitos comecem a levantar questões quanto ao seu futuro enquanto bloco e potência regional em ascensão.
A posição dos Açores na ultraperiferia da Europa não deve ser um obstáculo à inclusão tanto política como económica desta região no seio europeu. Deverá antes ser valorizada pelas oportunidades que proporciona: somos um elo de ligação não só entre a Europa e os Estados Unidos da América, mas também com a Macaronésia, por exemplo.
O cidadão europeu nesta zona do Continente não deverá sentir-se afastado dos centros de decisão da UE. Este aspecto constitui um apelo não só aos próprios cidadãos, a fim de reclamarem os seus direitos cívicos, como às autoridades competentes em dotar estes cidadãos das condições para que possam sentir-se inseridos no processo político europeu, mais que nunca a carecer do contributo de todos para ultrapassar as dificuldades que enfrenta.
Da Ultraperiferia poderá também surgir a resposta para muitas questões bastante prementes na actualidade. O investimento no desenvolvimento das regiões ultraperiféricas tem conhecido resultados francamente positivos e deve, portanto, ser continuado e reforçado. As janelas de oportunidades que estas regiões abrem revelam um potencial ainda por explorar que, uma vez aproveitado, mostrar-se-á indispensável para uma evolução saudável da União Europeia, numa política coerente de coesão e de crescimento sustentado por todos os Estados-membros.
É, aliás, através desse mesmo crescimento sustentado e da erradicação da pobreza que a União Europeia poderá almejar tornar-se a potência coesa que deseja. No entanto, isso apenas será possível com cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, civicamente activos e actores principais na construção dessa realidade. A aproximação política e económica da ultraperiferia é o próximo grande desafio para alcançar esta meta.