Arquivo de Julho, 2010

Não sei se sabem, mas…

…este cantinho ainda existe.

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em ressaca de um dia fora de casa, com carência induzida pela música de samara lubelsky começo a escrever este post. agora estou com vontade de fazer cócó.

back i am, de intestinos vazios e sem nada de útil para dizer.

para que serve um blog?  juntar informação? partilhar conhecimento supostamente alheio a um determinado número de pessoas para que este se alargue? dizer merda?

sim. é o que respondo a todas as questões (menos à primeira e principalmente à última). sim, dizer merda. aquilo que qualquer pessoa gosta de fazer. num momento de auto-adulação, na ilusão de que alguém as está a ouvir, despejar confissões, cultura-geral e um pouco de fanfarronice.

e este blog não é nenhuma excepção. um estúpido e presunçoso ritual de adoração ao culto do lol e do lmao. a melhor parte é que eu sou estúpido o suficiente para estar aqui a criticar e fazer parte disto. ah, como eu me adoro. ouço milhões de música, vejo filmes independentes, tenho calças justas e wayfarers para dar e vender. sou tipo o maior hipster do mundo. sou um idiota por estar para aqui a dizer isto? podes crer. mas pronto, é para isso que isto serve. dizer merda!

não vá, agora a sério. o que é um hipster? eu sou hipster? O QUE É UM HIPSTER?

é ter uma t-shirt com triângulos? é ouvir witch house e mais electrónica marada das 7:00 à meia noite? é todas as fotos do facebook terem um ligeiro tom de ciano? quanta erva é que um hipster deve ter no bolso para ser admitido na comunidade?

desculpem, mas não encontrei nenhum hipster FAQ pelas internets. amem-me para sempre. adieu.

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Ponto de Situação

Não é novidade para ninguém ouvir – ou protagonizar – queixumes contínuos relativos à política e sobretudo aos políticos. “Só querem poleiro!”, “Andam sempre na roubalheira, são uns aldrabões”, etc.

Decerto os políticos terão uma grande – a maior – responsabilidade por tais afirmações e pelo que estas reflectem na posição dos cidadãos em relação à política.

No entanto – e porque nada é exclusivamente culpa de apenas uma das partes -, é preciso nunca esquecer que, desde o 25 de Abril, o Estado somos Nós. Somos nós, o eleitorado, a população, que elegemos os nossos representantes. E, no caso de nenhum candidato agradar a um eleitor, esse pode sempre ingressar na vida política e propor-se a eleições. “A Política está viciada nos Partidos Políticos?” Sem deixar de lamentar o facto de apenas os partidos poderem candidatar-se às legislativas, há sempre duas maneiras de enfrentar essa adversidade: “infiltrar-se” na “máquina” do Partido, ou criar um novo.

Enfim, chega de introdução. O objectivo deste texto é apresentar o meu ponto de vista acerca do teatro político actual.

Mesmo aceitando que a Política é uma actividade raramente – nunca? – transparente e clara, como utopicamente deveria ser sempre, a verdade é que, pelo menos, teoricamente, o Estado somos Nós, como já disse anteriormente. E qualquer cidadão com mais de 18 anos pode candidatar-se a cargos públicos.

Não obstante tudo isso, é importante não esquecer que os nossos actuais representantes no poder executivo não inspiram confiança para ultrapassar momentos mais difíceis como os que vivemos actualmente.

A classe política actual apresenta-se-nos…ociosa. Preguiçosa. Apesar de todos nós podermos mudar os nossos representantes, a verdade é que não temos grande alternativas.

Hoje em dia, e provavelmente desde sempre, a política e os políticos precisam de ser mais assertivos. A distância entre o eleitorado e os políticos é enorme.

De facto, os políticos precisam de se aproximar do povo. Saber as suas opiniões e procurar respostas pragmáticas. Eficazes. Nem que se sacrifice ideologias.

Na minha opinião, há obviamente propostas que atravessam – ou deviam – qualquer ideologia. Há medidas que deviam ser transversais a teorias. A crise com que nos deparamos leva a que as medidas a tomar passem, por exemplo, pelo aumento de impostos, por princípio, odiado pela direita e mal tolerado pela esquerda.

Do mesmo modo, este texto não nem de esquerda nem de direita. Pretende apenas expor a neccessidade de uma reflexão sobre estas problemáticas e a urgência em apontar propostas e soluções.”Apartidárias”, “aideológicas” ou até “apolíticas”. Apenas propostas e soluções eficazes.

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as maravilhas das novas tecnologias

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Cronologia pseudo-auto-biográfica aos meus futuros netos sobre os anos 90 e “o meu tempo” – ou sentença de morte saudosista do ocidente – ou um título demasiado grande

Ah, os bons anos 90. Por muito que a música tenha ficado pior, que fosse uma geração fútil ou até “rasca”…sentia que não havia preocupações. Talvez por coincidir com a idade da minha infância: cresci a ver o Schumacher a ganhar títulos atrás de títulos na Fórmula 1, aos domingos de manhã, na RTP1. Lembro-me das publicidades da McDonalds, sítio esse que nunca fui por morar nos Açores (e a McDonalds só lá chegou na última semana de 2006 – sinais de crescimento ou de acrítica?). De ver dinheiro a ser distribuído por todos, porque o havia, vinha esbanjado de Bruxelas.

Cresci a ver políticos como Guterres, Aznar, Chirac, Blair, Schroeder, Clinton e tantos outros. Por muito que não fossem figuras míticas nem fontes inesgotáveis de carisma, eram – ou aparentavam ser, algo sempre importante no exercício da politica – indivíduos sólidos e coerentes com as suas convicções. O Ocidente crescia à velocidade que queria, ou pelo menos à velocidade suficiente para passar a década inteira praticamente sem falar em crise. As potências emergentes não eram ainda uma ameaça ao nosso crescimento. Havia guerras civis um pouco por toda a África, até na Europa Central – e nós não queríamos saber.

Hoje, já muito mudou. A China é um vencedor antecipado desta corrida que tem como meta um novo paradigma nos campos social, económico e politico. Várias das ditas “potências emergentes” ocupam os lugares a seguir: Índia, Brasil, Rússia, Indonésia… Dentro de 20 anos, vai ser visível que aquele mundo para nós confortável com os EUA à cabeça e a Europa por arrasto acabou logo à viragem do século. Um Presidente errado durante 8 anos e a sentença de morte da ordem mundial pós-Guerra Fria estava assinada.

Esta questão é complexa e, como todas as questões complexas, pede reflexão. Mais importante que tentar obter respostas, é procurar as perguntas: antes de definirmos os objectivos, decidamos os princípios e os meios para lá chegar. Como responderá a Europa aos desafios lançados pelos novos mercados, baseados em fracas ou inexistentes leis laborais? É através da baixa de salários e de regalias sociais que as populações conhecerão uma melhoria do seu nível de vida, uma meta que, quando atingida, se quer sempre revista em alta? É enfraquecendo a coesão entre os Estados-membros e enveredando pelo nacionalismo e proteccionismo que essas metas serão atingidas?

As respostas a estas perguntas definirão o rumo da União Europeia nos próximos anos – seguramente mais que uma década.

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Face Oculta – o documentário

Este é o trabalho final da disciplina de Área de Projecto deste ano lectivo que passou. A versão está meio ranhosa, sem qualidade e até tem um ou outro erro parvo nas legendas mas o que importa não é isso. O director da minha escola chorou ao ver isto e eu até me orgulho disso:

http://www.vimeo.com/13164786

Espero que gostem e digam o que acham por favor (mas digam mesmo)

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Conversa da Treta + 5 minutos de banda: The Tallest Man On Earth (parte 3)

Eu sinto-me mal. Vou para um curso de Comunicação Social. Sinceramente até me sinto à vontade para escrever sobre qualquer tema, mas devia-me cultivar mais, ler mais, escrever mais (escrever mais, mesmo que às vezes só para encher chouriço, começava por ser aqui e não o faço assim tantas vezes como devia). Não sei ainda para que vou universidade mas o que é certo é que amanhã saem as notas dos exames e tudo começa a ficar mais definido. De certeza que cada um tem as suas expectativas para cada exame, de certeza que foram muitas as contas que fizeram e o tempo que passaram a pensar nisto mas desejo a melhor das sortes a todos. Voltando ao raciocínio inicial, eu não sou assim tão passivo ao ponto de não querer fazer nada, não me preocupar e não aproveitar o investimento que os meus papás sempre fizeram em mim mas sinto-me preguiçoso e isso preocupa-me. O tempo gasto-o com pessoas e gosto. Gosto de fotografia e aí também devia perder mais tempo (www.olhares.com/vacantwc) e devia aprender mais sobre cinema, mesmo que até veja alguns filmes. Até já tirei a televisão do meu quarto porque acho que é insignificante. Oh tudo isto não interessa mesmo, a minha simplicidade faz-me só transmitir isto.

Simplicidade é o que não falta a  Kristian Matsson (tava aqui a tentar fazer uma ponte entre temas). The Tallest Man On Earth é apenas e só este cidadão sueco e uma guitarra. Pode parecer aborrecido mas é surpreendente ao ponto de soar a Bob Dylan (a associação é quase automática). Penso que o que acontece em The Tallest Man On Earth é fascinante porque parece fresco e novo, mesmo sendo bastante básico. As diferentes melodias e a lírica são agradáveis e não doi nada a ouvir, tal como o folk todo em geral penso eu. Foram até agora dois álbuns, o primeiro “Shallow Graves” (2008) e “The Wild Hunt”  (2010) que justificam a presença na próxima edição do prestigiadíssimo festival Paredes de Coura, a decorrer já no final do mês (!!!). O último álbum é um olhar à Natureza em geral que nos rodeia e à natureza humana. É nas margens do Tabuão, em pleno lusco-fusco que Matsson vai parecer perfeito e que vai de certo marcar corações. Experimentem.

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É.

Antes…

…agora…

Ouch.

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a minha impressão sobre lisboa

Estive na capital algumas vezes na minha vida em estadias nunca superiores a duas semanas. Já lá vou desde 1998, a maioria das vezes em férias. Agora que vou para lá morar, decidi reflectir um bocado sobre a cidade que me vai acolher, em princípio, durante mais ou menos três anos: Lisboa é uma cidade, no mínimo, estranha. É uma mistura e reflexo da nossa já antiga vontade de sermos cosmopolitas, evoluídos e avançados com o comportamento típico português mediterrânico, preguiçoso, desmazelado.

Não nego a sua beleza. Há, de facto, uma certa mística nos cantos históricos, nas suas ruas antigas e monumentos que me agrada e dá um toque mágico à coisa. A sua sujidade é interessante: por um lado, assenta bem nos prédios antigos (quase a ruir) e nos seus sítios tradicionais; por outro, a poluição intensa, o barulho e o degredo característicos de uma cidade assim tornam-na num sítio infeliz, estranho, inseguro.

É a capital do meu, do nosso país. Não que tenha altos sentimentos patrióticos, mas não digo mentira nenhuma. Fazem por merecê-lo em várias áreas como é o caso da cultura (falo daquilo que sei ou tenho conhecimento, neste caso) ou, talvez por serem o “centro” do país, o rumo das coisas acaba por, inevitavelmente, virar para lá. Não que tenha algo contra, mas tanto os bons aspectos disso como os maus acabam por ir lá parar todos.

Quanto às pessoas, vejo-as de diferentes maneiras. Há quem te receba (pouca gente) com um xi-coração e dois dedos de conversa, mas há principalmente uma sensação de distância (e até soberba, em alguns casos) característica das grandes cidades. Não diria que as pessoas são pouco amigáveis mas sim muito provavelmente cansadas por carregar o stress e as responsabilidades da vida quotidiana, marcadas talvez pela insegurança do lugar em que vivem.

Provavelmente podia passar mais algum tempo a especular e falar das impressões que tenho sobre Lisboa mas acabaria eventualmente por cair na asneira. Desculpem lá qualquer parvoíce que disse sobre vós, alfacinhas.

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Aumentar os políticos?

Em tempo de crise, de contenção, é claramente contra a maré. Tenho consciência disso. Não menos importante é a representação que a generalidade das pessoas têm dos políticos e de quem participa na actividade politica.

Apesar de tudo, e tendo isso em conta, vejamos quanto ganha um deputado: cinco mil euros. Claro que não é propriamente um trabalho precário, mas não é através do vencimento de deputado que ninguém faz fortuna. Vejamos agora quanto ganha o primeiro-ministro: cinco mil euros. Não é seguramente mais do que um cidadão da classe média-alta aufere mensalmente. O Presidente da República: dez mil euros. Ao olhar para a quantidade de gestores públicos que ganham mais, é ridículo.

Ora, estamos a falar de cargos soberanos – são estes os nossos representantes. Paralelamente a outra discussão, no mínimo tão pertinente como esta, que é a da credibilidade dos políticos, é importante analisar, sem preconceitos, quanto pagamos à democracia. Porque seguramente não é o dinheiro que define a saúde de uma democracia, mas não será também seguramente a sua falta que garante um sistema saudável. O facto de a corrupção ser (na esmagadora maioria das vezes) motivada por razões económicas não pode ser ignorado. Além disso, como podemos garantir que temos como deputados, ministros, primeiros-ministros e Presidentes da República os cidadãos mais preparados (e não apenas fantoches que se movem pela simples ambição de poder, com os resultados desastrosos que se conhecem) se lhes pagamos tão mal a ponto de ganharem num ano a desempenhar a sua profissão no sector privado o que ganham, por exemplo, como ministros, num mês? É preciso encararmos a realidade: nem todas as pessoas têm o altruísmo que desejávamos.

Aumentar os políticos – ora aí está um tópico em que os preconceitos devem ser postos de parte. O Estado não pode ser uma empresa que “contrata” deputados como se se tratassem de simples quadros – até porque são eleitos, mas não é menos verdade que o argumento monetário não é propriamente uma vantagem para quem quiser abandonar uma carreira proeminente para se dedicar à politica.

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