Abaixo as agendas.
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Fevereiro 16, 2011
Às vezes ignoramos o nosso lado infantil. Temos que ser politicamente correctos, conscientes, dizer as coisas certas, se as fizermos, tanto melhor. Não devíamos. Em maior ou menor grau, todos temos um lado “rebelde”. É esse lado que nos faz suportar a sensaboria do quotidiano. Mais que a rotina, a sensaboria. Na ânsia de sermos crescidos, de fazermos o que está certo, perdemos uma fase que, quando formos efectivamente crescidos e tivermos de fazer o que está certo, vamos lembrar que saudade. E com frustração, por não termos feito o que (supostamente não) devíamos. Não precisamos de brincar aos crescidos, quando já estamos tão perto de o ser. A “idade do chinelo” ainda não é a nossa.
O Pensamento Autonómico
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Fevereiro 2, 2011
O que é o “pensamento autonómico”? O “autonomismo”? Que os Açores têm fenómenos estranhos já sabia, mas este é particularmente atípico. O que é esta coisa que começa em grupos no facebook a promover o queijo do Pauleta e acaba em levar a bandeira dos Açores para viagens de finalistas?
Portanto, vamos lá perceber o pensamento disto: há um grupo de gente que pensa, e pelos vistos acredita mesmo nisso, que os Açores podiam ser independentes.
Pois sim.
Nem sei por onde começar. Não quero ser declaradamente arrogante e “professorzeco”, mas já olharam para a economia? Temos um empreendorismo a rondar o zero, quase que não existe iniciativa privada. O Governo Regional dedica o seu tempo a subsidiar tudo e todos exactamente por causa disso, embora nem assim se consigam resultados. Além disso, e não menos importante, os fundos de que o Governo Regional dispõe vêm de onde, de onde…? Da capital, claro. Nem por sombras a Região, sozinha, consegue produzir riqueza suficiente para se governar. Qualquer pessoa que passe dois minutos a ver as estatísticas da economia regional percebe isso.
“Ah e tal, pois se calhar agora não temos condições, mas antes, a seguir ao 25 de Abril, tínhamos”. Claro, como é que eu me fui esquecer disso. A culpa é do 25 de Abril e pronto. Meus senhores, duas coisas: o vosso movimento, a FLA, o MAPA, tudo isso, era patético. E podia acabar aqui, mas há um dado manifesto que aparentemente nunca vos disseram: vocês eram um joguete nas mãos de Washington, que só vos apoiaria se Portugal, na altura hesitante entre o socialismo revolucionário e a democracia, enveredasse pela primeira via. Todas as hipóteses do vosso movimento vingar estavam, portanto, baseadas nos destinos do Continente, como sempre. Ironia.
Hoje acabamos numa autonomia comovedora. O Governo Regional intitula-se Governo dos Açores, numa operação de cosmética ridícula que não muda nada, obviamente. E nós continuamos a mostrar a nossa soberba pelos bolos lêvedos, pela kima e pelo queijo do Pauleta. Esses porcos do continente é que não os vendem. Porcos.
Uma declaração de amor
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Janeiro 23, 2011
Somos um país que não sai do choco. Tanto a nível interno como externo, somos subsídio-dependentes – o Estado dos da União Europeia, nós dos do Estado. E temos todos direitos e só direitos. Um preguiçoso, em Portugal, é um indivíduo com dificuldades ao nível da realização de certas tarefas psico-motoras. Os portugueses trocaram o desenvolvimento por uma marquise de vidro duplo. O crescimento por um carro com luzes neón.
Portugal é um poço onde a tendência é sempre escavar mais para baixo em vez de tentar escalá-lo.
Ou talvez sejamos um país de Jardins. Um Jardim onde ninguém se lembra de cortar as ervas daninhas e, em vez disso, as deixa crescer como se fosse algo positivo.
E a Igreja? Duvido que todos os países com quem gostamos de nos comparar tenham recebido um Papa de maneira tão efusiva. Nada contra, atenção. Percebo perfeitamente que, pelo facto da maioria dos portugueses ser católica, é natural que o Chefe Espiritual seja recebido condignamente. A questão não é essa. Mas quando se fecha uma capital só para Sua Santidade passar à vontade, então, talvez seja de considerar ir rezar missa para outro sítio que não no Terreiro do Paço. E por mais que se tenha repetido que era tão importante a visita do Papa, pelo menos eu continuei a ver-me ao espelho da mesma maneira.
Para nós, cultura é passar a tarde de domingo no Museu Berardo. Competitividade é julgar que a galinha da vizinha é melhor que a minha. Produtividade é só deixar de sair do emprego no funcionalismo público três horas mais cedo. Férias de sonho são duas semanas em Badajoz.
E enquanto não tivermos horizontes mais largos, de Badajoz não passamos.
Qualquer semelhança com uma tenda de ciganos é pura coincidência.
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Janeiro 17, 2011
Yeah, life.
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 22, 2010
we’re teenagers. we’re still learning. shit happens. we cheat, we lie, we criticize, we fight over stupid things, we spend all our cash. we fall in love and end up getting hurt. we bitch about bitches being bitches. we party till dawn, we drink till we pass out, and dance til we cant feel our legs. we hate people for no reason, we call each other names. we stay up late having deep conversations, or stay up late just to think. we go out and have amazing moments with our friends and those will be the lifelong memories. music and quotes become our way of life. we try cigarettes, experiment with drugs, and eventually have sex. one day that’s going to all pass. you can waste your time focusing on all the bad things, but one day you’re gonna wish you were still a teenager. so make the most of what you have now, forget all the bullshit and drama and live your fucking life with a sexy smile on your face. life is short. take chances, live dangerously and let go of what isnt meant to be. take the good with the bad, smile with the sad, love what you’ve got, and remember what you had. always forgive, never forget. laugh til you cant breath, learn from your mistakes, and never regret.
Mezzo
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 12, 2010
Vivemos numa sociedade onde nada é forte ou piano, é tudo mezzoforte ou mezzopiano. É tudo médio, nada é intenso. Não há políticos nem óptimos nem péssimos: os melhores são medianos, os piores, medíocres. Seguimos todos o mesmo padrão, andamos todos a caminhar para as mesmas médias. Temos todos o nosso plano de férias mé(r)dias: uma semana neste ou naquele sítio de praia. Até o alternativo é generalizado.
E talvez até seja normal assim: todos nós temos apenas pequenas glórias, pequenas vitórias. Não temos grande tiradas sempre prontas e o nosso brilho é sempre efémero. Mas será que a verdadeira democratização de uma sociedade passa por sermos todos iguais ao indivíduo médio?
É para este trilho que as “grandes” democracias ocidentais estão a caminhar: para satisfação do prazeres mais banais, mais pequenos. Os valores, os grandes valores ocidentais de respeito pelos direitos humanos, de crença na democracia (com o objectivo de valorizar o homem e de lhe permitir crescer; não de o tornar “médio”, padronizado), estão encostados a um canto, estampados num panfleto qualquer, ensombrados pelas grandes questões dos nossos tempos: se as maçãs devem ou não ser calibradas, se o pão deve ter um limite de sal, se se pode fumar aqui ou ali.
É mesmo por aqui queremos seguir? Que diferença faremos nós de um autómato? Onde está a nossa capacidade crítica? Porque está o Ocidente a falir?
Cidadania Europeia na Ultraperiferia
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 9, 2010
Como todos sabemos, o Mundo e, em particular, a Europa, vive um momento de tensão. No caso Europeu, a crise económica e financeira teve como consequência a oscilação dos pilares que sustentam a política europeia.
Da nossa tantas vezes denominada “posição ultraperiférica”, obviamente justificada pela geografia, podemos identificar uma série de questões:
Como vemos a crise? Que contributo podemos e devemos dar para a sua resolução?
É visível que a crise tem posto à prova a coesão político-económica da União Europeia, fazendo com que muitos comecem a levantar questões quanto ao seu futuro enquanto bloco e potência regional em ascensão.
A posição dos Açores na ultraperiferia da Europa não deve ser um obstáculo à inclusão tanto política como económica desta região no seio europeu. Deverá antes ser valorizada pelas oportunidades que proporciona: somos um elo de ligação não só entre a Europa e os Estados Unidos da América, mas também com a Macaronésia, por exemplo.
O cidadão europeu nesta zona do Continente não deverá sentir-se afastado dos centros de decisão da UE. Este aspecto constitui um apelo não só aos próprios cidadãos, a fim de reclamarem os seus direitos cívicos, como às autoridades competentes em dotar estes cidadãos das condições para que possam sentir-se inseridos no processo político europeu, mais que nunca a carecer do contributo de todos para ultrapassar as dificuldades que enfrenta.
Da Ultraperiferia poderá também surgir a resposta para muitas questões bastante prementes na actualidade. O investimento no desenvolvimento das regiões ultraperiféricas tem conhecido resultados francamente positivos e deve, portanto, ser continuado e reforçado. As janelas de oportunidades que estas regiões abrem revelam um potencial ainda por explorar que, uma vez aproveitado, mostrar-se-á indispensável para uma evolução saudável da União Europeia, numa política coerente de coesão e de crescimento sustentado por todos os Estados-membros.
É, aliás, através desse mesmo crescimento sustentado e da erradicação da pobreza que a União Europeia poderá almejar tornar-se a potência coesa que deseja. No entanto, isso apenas será possível com cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, civicamente activos e actores principais na construção dessa realidade. A aproximação política e económica da ultraperiferia é o próximo grande desafio para alcançar esta meta.
Aaa…se eu fosse a ti, despachava-me.
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 7, 2010
Será 2012 o fim do mundo como o conhecemos?
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 6, 2010

Respeitinho
Publicado por Rodrigo Vaz em Uncategorized em Dezembro 3, 2010
Vivemos numa sociedade repleta de “respeitinho”. O que é o respeitinho?
É uma coisa muito portuguesa, é a nossa versão de respeito. Em Portugal, em vez do respeito, condimento (se não mesmo pedra basilar) de qualquer sociedade civilizada, temos o respeitinho, essa coisa degenerada. Em vez de autoridade, há um autoritarismo mesquinho, do poder pelo poder. Os portugueses gostam do poder, do poder pequenino, o suficiente para alterar a vida de duas ou três pessoas. O português do respeitinho não gosta de se candidatar a primeiro-ministro ou a Presidente da República, gosta é de ser eleito o presidente lá da sua junta. O português não gosta de ser um juiz recto e credível, prefere ir passar multas para a EMEL. Até porque isso lhe exige muito menos trabalho. O melhor é mesmo ser presidente da junta lá do sítio E trabalhar na EMEL. Isso é que impõe, não respeito (porque isso exige mérito, algo que muitos portugueses não conhecem), mas respeitinho.